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Aquela Velha História de Assaltar o Povo
11 de Abril de 2002, tropas cercam o palácio presidencial. Soldados, de armas em punho, ameaçam o governante latino-americano, eleito democraticamente, exigindo sua rendição. A imprensa conservadora promove a ação e faz sua parte, põe em prática uma campanha midiática para legitimar os usurpadores no poder. O povo, vítima também do golpe de estado, não consegue entender o que está acontecendo. Mas, de qualquer forma, não se deixa embriagar pelas notícias. Um representante da burguesia, de cor clara, é colocado às pressas no lugar do presidente deposto, e vive, durante alguns momentos, a ilusão de ter apoio popular... Três dias depois o antigo governante é trazido de volta nos braços do povo e a forças conservadoras sofrem uma humilhação jamais vista neste país. 29 de Junho de 2009, tropas cercam o palácio presidencial. Soldados, de armas em punho, ameaçam o governante latino-americano, eleito democraticamente, exigindo sua rendição. A imprensa conservadora promove a ação e faz sua parte, põe em prática uma campanha midiática para legitimar os usurpadores no poder. O povo, vítima também do golpe de estado, não consegue entender o que está acontecendo. Mas, de qualquer forma, não se deixa embriagar pelas notícias. Um representante da burguesia, de cor clara, é colocado às pressas no lugar do presidente deposto, e vive, durante alguns momentos, a ilusão de ter apoio popular... Duas datas diferentes e a mesma história, o golpe contra o povo. A direita latino-americana não toma vergonha na cara. Em público defende a democracia, mas no íntimo ela a odeia. É insuportável para a burguesia aceitar a decisão popular quando o resultado é progressista. Na cabeça desses tiranos, o povo jamais teria direito ao voto. Para eles, deveria ser tudo como antes, as oligarquias prepotentes é que deveriam decidir o destino de suas nações. Mas a história impulsionou o homem moderno a defender a democracia, por ser um sistema mais justo que aqueles utilizados no passado. Na primeiro golpe, ocorrido na Venezuela contra o presidente Hugo Chavez, o Eua de imediato posicionou-se a favor dos golpistas. Lógico, o republicano George Bush, direitista convicto e presidente estadunidense na época, não só apoiou a trama como, ao que tudo indica, trabalhou nos bastidores para que ela fosse um sucesso. E criou um certo constrangimento para as nações que defendem a democracia, além de intimidar a ONU. Contudo, menos de três dias depois teve que amargar a derrota imposta a ele pelo povo venezuelano. No segundo golpe, ocorrido recentemente em Honduras, o presidente estadunidense Barack Obama, tal qual nosso presidente Lula, censurou veementemente os golpistas, exigiu o retorno imediato do presidente Manuel Zelaya ao poder; o Conselho de Segurança da ONU, por unanimidade, ordenou o retorno à democracia; os país vizinhos a Honduras fecharam suas fronteiras, isolando o atual governo; a comunidade européia censurou o novo governante golpista; a OEA exigiu o fim do golpe; e nenhuma nação ofereceu qualquer ajuda aos espoliadores da democracia. Hondura atualmente está isolada do resto do mundo, e o povo hondurenho esta nas ruas, exigindo que Zelaya volte ao poder. Ou seja, de uma data a outra o mundo evoluiu sobremaneira. Em menos de sete anos a humanidade deu um guinada em direção ao progresso, e resta aguardar que os imundos que ainda nutrem no íntimo a vil intenção de denegrir a vontade do povo esqueçam essa idéia, e se conformem com os novos tempos. À mídia foi dada também uma nova lição, já que ela tem o triste hábito de acompanhar aqueles que no passado espoliaram o povo e que no presente ameaçam a democracia. No golpe de Honduras, como no da Venezuela, a imprensa de imediato legitimou os golpistas, lançou acusações contra os presidentes eleitos e criou ilusões para que o povo concebesse a idéia de que a vida em seu país seria bem melhor. Como os golpistas, ela também amarga uma grande derrota. Não resta dúvida de que Manuel Zelaya retornará em breve ao comando da nação hondurenha. Mas desse episódio convém guardar a experiência de que contra a direita jamais devemos baixar a guarda, pois ela ainda vive no tempo em que podiam fazer o que bem queriam, e o resto tinha o dever de seguir. Democracia, sempre! Marabá
Escrito por marabá às 15h08
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A Rosa Vermelha
“O revolucionário se forja na sua própria luta.” Maurício Grabois
 Temos diversas heroínas em nossa história brasileira, mulheres indignadas com os sistemas sob os quais foram obrigadas a viver. Lutaram, mas jamais perderam a ternura; lutaram, e ajudaram a configurar nossa Nação como ela é hoje; lutaram, e construíram um mundo melhor. Temos Pagu, poetisa, ex-esposa do escritor Oswald de Andrade, revolucionária que contribuiu na transformação de nossa sociedade. Temos Olga, esposa de Luis Carlos Prestes, incansável lutadora, líder internacional do partido comunista, presa ao lado do Cavaleiro da Esperança e entregue aos nazistas pela ditadura de Vargas. Sob o comando de Prestes, temos as colunistas que o seguiram, algumas que até pariram durante a marcha. Temos Dilma Rousseff, personagem do movimento armado de esquerda que lutou contra a ditadura militar e pela restauração da Democracia em nossa sociedade, oxalá seja nossa futura presidente do Brasil. Temos a valente Diná, guerrilheira comunista, hoje uma lenda para o povo pobre do Araguaia, e que durante o combate, dado a sua coragem e poder de luta, foi respeitada até pelo inimigo. E temos Anita Garibaldi, militante maior do movimento de independência do Rio Grande do Sul. Contudo, de todas essas mulheres e de tantas outras que a história oficial nos esconde, e que nos enchem de ânimo para continuarmos lutando e acreditando num mundo melhor, temos a grandiosa figura de Elza Monnerat. Nascida em 1913, Elza Monnerat dedicou toda sua vida a luta silenciosa pelo socialismo e pela justiça ao povo brasileiro, que não se outorgou de comandante, mas sim de soldado de primeira hora do Partido Comunista do Brasil; que, mesmo com idade avançada, não deixou de disponibilizar o espírito combatente sob o qual sua consciência se guiava. Era uma grande líder, embora empunhasse a figura de uma velhinha, de cabelos brancos, simpática e sorridente. Era um exército numa pessoa só; quem dera hoje a nova militância da esquerda concebesse seu espírito idealista. Desde que despertei para a Política, ao tomar emprestado um livro chamado ‘Guerra de Guerrilhas’, que mudou minha vida, admiro a história de Elza Monnerat. Isso porque, este livro de Fernando Portela era uma dos únicos testemunhos publicados em 1991 sobre a Guerrilha do Araguaia, uma epopéia em que quase setenta guerrilheiros, recrutados nas principais capitais do país, em nome do PCdoB, combateram cerca de cinco mil homens do Exército Brasileiro, a serviço da ditadura militar. Diga-se de passagem, este livro é o marco inicial de meu engajamento na esquerda. E, ainda que, ironicamente eu estivesse servindo como 2º Tenente na 23ª Cia Com Sl, em Marabá/PA – quartel vizinho ao 52º Bis, batalhão que, vinte anos antes concentrara o comando militar das operações contra os camaradas comunistas - pude ler em segredo, já que a 2ª Sessão em meu quartel ainda caçava, mesmo na década de noventa, aqueles que simpatizassem com ideais de esquerda. Juro, pensei que aquela história fosse mentira. Jamais ouvira falar da Guerrilha do Araguaia, mas ela era um fato. Anos mais tarde a verdade sobre esse conflito veio a público, e Elza Monnerat figurava entre os heróicos guerrilheiros que sacrificaram a vida pelo Socialismo. Ela representa muito para mim. Num mundo em que o capitalismo seduz sobremaneira a esquerda contemporânea, em que ela, impregnada por essa sedução, esquece-se dos grandes mártires, daqueles lutadores torturados e mortos por seguirem fiéis aos seus ideais de justiça, nada como lembrar Elza. Lembrá-la, é tornar viva a figura daqueles que, nos anos sombrios da clandestinidade e repressão do governo, seguiram corajosos para que a esquerda fosse mais do que ela é hoje, idealista e, sobretudo, representante do povo. Resgatar a figura de Elza Monnerat é uma maneira sapiente de mostrar a juventude descrente dos dias de hoje, que a mais bela revolução é aquela em que participamos conscientes. Nada mais justo que homenagearmos a figura da grande líder comunista Elza Monnerat, como exemplo de sua força e de seu combate. E é isso que a Câmara Municipal de Olinda e o PCdoB, sob coordenação da militante comunista Edjane Quirino, farão nesta segunda-feira – 15 de junho – as 19:00h, no plenário da Casa Bernardo Vieira de Melo, Rua 15 de Novembro, nº 93, Varadouro, Olinda. Um ato político em reconhecimento ao seu grande valor e a sua história. Jamais devemos nos esquecer, Elza Monnerat vive! Marabá
Escrito por marabá às 11h45
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Por Água Abaixo

Parece mentira. Mas meu último texto para este blog foi escrito há mais ou menos dois meses, justamente no dia da mentira, 1º de abril. E muita coisa aconteceu neste tempo, o que comprova que a História, de fato, é demasiado dinâmica. No entanto, um assunto, entre tantos, chama mais minha atenção, a CPI criada para investigar a Petrobras. É certo que o Congresso tem uma infinidade de coisas para investigar, principalmente em áreas relacionadas à violência urbana, neste caso, existem dezenas de indícios de que parlamentares estão envolvidos com a criminalidade, o que seria um motivo para investigação. Mas eles preferem investigar a Petrobras, o que temos de melhor no Brasil. Fazer o quê? Aliás, o senador Jarbas Vasconcelos, no plenário do Congresso, disse que no seu partido, o PMDB, tinha ladrão. Jarbas ta em casa. Contudo, isso não seria um bom motivo para uma CPI? Ou será mesmo que é um caso de polícia? É certo que temos uma oposição que pesa em seu passado atos de corrupção e incompetência administrativa, o que lhe tira a legitimidade para lançar acusações contra um presidente oriundo da classe mais simples da sociedade, e que é considerado hoje o melhor administrador que esse país já teve. Porquanto não é a toa que essa oposição, com vistas ao pleito de 2010, usou a Petrobras, quem sabe como bode expiatório, para atingir o governo Lula e enfraquecer aqueles que estiverem ao seu lado. Não sabe a oposição que ela está dando um tiro no próprio pé, como sempre. Com o risco de que sejam levantadas informações da Petrobras durante o mandato de FHC, os tucanos jamais deveriam mexer neste assunto. Pois tudo indica que defuntos desse tempo serão desencovados, haja visto que será extremamente difícil evitar falar sobre o afundamento da Plataforma P36, na época a maior do mundo, e que jaz no fundo do mar da Bacia de Campos desde março de 2001. Ou até mesmo das articulações medonhas que o governo dessa mesma oposição dispensou para que fosse privatizada, quando tentaram até trocar seu nome para Petrobrax. E que, não fosse a ação do PT, PCdoB e Movimentos Sociais, tudo iria por água abaixo, literalmente, como foi a P36. No entanto, não é de se admirar que a mídia esteja do lado da oposição, usando ainda o triste argumento de que o PT - e demais aliados - quando na oposição, pedia CPI pra tudo – ainda que nenhuma tenha sido instalada -. Quando a Petrobras alcançou a auto-suficiência em 2006, a imprensa se calou. O que deveria ser considerado um feriado nacional, quase não foi percebido. Praticamente o povo brasileiro desconhece essa grande vitória. Desde 1953 nosso país sonhava com essa marca, que se dependesse da oposição de hoje, jamais deveria ser conquistada. É algo como a conquista do direito do Brasil realizar a Copa do Mundo de 2014, que fez mal àqueles que torcem contra Lula. Acontece, porém, que nem a oposição consegue esconder seu lixo debaixo do tapete e tampouco a mídia consegue ajudar, tendo em vista tanta sujeira a esconder. Vamos lá, dos seis governadores eleitos pelo PSDB, um já teve o mandato cassado, Cassio Cunha Lima, da Paraíba; Teotônio Vilela de Alagoas foi acusado pelo Ministério Público de participar da máfia das obras, que envolve Zuleido Veras, dono da empresa Gautama, acusado de pagar propinas para autoridades públicas, e agora o tucano está sendo julgado pelo STJ, que já condenou Jackson Lago, ex-governador do Maranhão, pelo mesmo crime; Em Roraima, o Ministério Público pediu a cassação de José Anchieta Junior, eleito vice-governador do também tucano Ottomar Pinto, morto em 2007, acusado de crime eleitoral juntamente com o atual governador; Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul, está atolada até o pescoço com falcatruas, sua popularidade está na casa dos 7%, enquanto que mais de 70% pedem seu impedimento, e que corre grande risco de enfrentar uma CPI na Assembléia gaúcha apoiada até pelo aliado Dem; Nesse ninho de abutres, quer dizer, tucanos, os que aparentemente se salvam é José Serra/SP e Aécio Neves/MG, mas a Secretaria de Educação de Serra, chefiada por um ex-ministro de FHC, criou um escândalo inimaginável, distribuiu milhares de revistas pornôs para alunos do ensino primário e fundamental da rede estadual. No entanto, se fosse num governo petista, esse fato se transformaria em capa das revistas Veja e Época. Só uma perguntinha, essa oposição tem juízo? Marabá
Escrito por marabá às 16h56
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Após 47 anos, OEA revoga suspensão de Cuba
Em uma decisão de relevância histórica para a América Latina, a Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) revogou, nesta quarta-feira, a resolução de 1962 que expulsou Cuba dos seus quadros. Depois de um dois dias de debates, a deliberação sobre a ilha foi feita por consenso e de forma incondicional. A posição dos Estados Unidos, que impunha exigências para que a sanção a Cuba pudesse ser retirada, foi, portanto, derrotada, mostrando isolamento do governo norte-americano, que insiste em sua política anti-cubana. 
Em meio a aplausos, Patrícia Rodas, presidente da Assembleia Geral da OEA, informou oficialmente que os 34 países reunidos na XXXIX cúpula da entidade deixaram sem efeito a medida adotada há 47 anos.
Minutos antes, o chanceler equatoriano, Fander Falconi, adiantou a notícia à impresna, afirmando que o a resolução 662 da OEA ''enche de satisfação os latino-americanos'' e corrige um ''erro histórico'', baseado na lógica da Guerra Fria, que questionava as relações da ilha com a União Soviética e a China.
''A decisão é nítida, não envolve nenhum tipo de condicionamento. É uma plena reintegração e uma abolição dos temas que incuíram a expulsão de Cuba em 1962. Isso tinha a ver com uma hipocrisia consolidada nas relações hemisféricas, porque Cuba hoje tem relações com todos os países da América Latina'', disse.
Segundo Falconi, essa é uma ''notícia muito boa, reflete a mudança de época que se está vivendo na América Latina''. O chanceler completou: ''Muitos de nós não tinham nascido naquele momento e o que esta geração está fazendo é basicamente emendar a história, e aqui temos um desafio de construir uma história diferente''.
A decisão foi adotada hoje depois que, na véspera, os chanceleres de um grupo especial designado para tratar a questão permaneceram reunidos por mais de seis horas, sem se chegar a nenhum consenso.
As posturas em conflito eram as dos que propunham uma revogação da suspensão, sem condições, e outra, defendida pelos Estados Unidos, que mencionava a necessidade de que Cuba assumisse os compromissos de ''democracia e defesa dos direitos humanos''. Coletado em: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=57367
Escrito por marabá às 18h43
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Valeu, Itarcio!

Em time que ganha não se mexe! Coletado em: http://tudo-em-cima.blogspot.com/2009/05/nao-deixem-de-ver-zeitgeist-1-e-2.html#links
Escrito por marabá às 12h40
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O Dia da Mentira
Quando pequenos, desavisados pelas questões que regem a vida, chegamos a nos divertir com o ‘1º de Abril’. Mas é algo que merece profunda reflexão. Vale a pena dedicar um dia à mentira? Não seria mais nobre dedicar um dia a Verdade? Não que seja suficiente, o ideal é que dedicássemos 365 dias à Verdade. Mas como ainda não temos nenhum dia dedicado a ela, poderíamos começar com o ‘1º de Abril’. A mentira não precisa mais de nenhum dia dedicado a ela, pois já tem todos os dias do ano à sua disposição. Vivemos uma grandiosa mentira todos os dias, e não precisamos mais comemorar. Isso está nos causando um grande desastre. Estamos hoje, o mundo inteiro, vivendo as conseqüências da mentira. Daquelas contadas pelo governo estadunidense de Bush quando criou sua guerra infame contra o Iraque, das mentiras dos economistas midiáticos que incentivaram o capitalismo especulativo, até as grandes multinacionais que fraudaram suas planilhas de lucro. A mídia é uma grande mentira. E é ela quem endossa as demais mentiras, seja no âmbito econômico como no político. A mídia é o instrumento pelo qual a mentira melhor se transporta, e como um vírus, contamina a maioria. Ela segue com uma fidelidade canina a filosofia de Goebbels, ministro de propaganda nazista, que defendia a tese de que ‘uma mentira contada várias vezes termina por virar verdade’. A mídia mamou num seio fascista. Aqui no Brasil, a mentira favorece sobremaneira aos políticos, ela está entrelaçada em suas atitudes. E principalmente aqueles que agem contra os interesses do povo, sabem de seu valor para suas ambições. Ver a direita brasileira posar de paladino da verdade que conduz à ética, é testemunhar uma deslavada mentira. Impressiona ver o Senador Jarbas Vasconcelos assumir os holofotes da imprensa posando de ético, mesmo com seu conluio com os demos, que espoliaram a Nação durante os anos de ditadura militar; impressiona ver Roberto Freire lançar denuncias contra o Governo Federal, mesmo sabendo que ele lesa o erário público paulista ao receber um salário superior a 10 mil reais sem prestar qualquer serviço ao governo de José Serra; impressiona ver Rodrigo Maia e ACM Neto acusarem o tempo todo o Presidente Lula de um monte de coisas, mesmo sabendo do que seus pais e avós fizeram contra o povo carioca e baiano; impressiona assistir a Mirian Leitão e o Arnaldo Jabor defenderem na Rede Globo suas posições que não se sustentam por mais de um mês; impressiona ver FHC lançar suas soluções mágicas, mesmo sabendo que, quando presidente, tudo o que fez foi vender as riquezas do povo brasileiro por um punhado de moedas. A mentira tem seu lugar de destaque na biografia desses homens. Não há por que comemorar a mentira, ela nos causa dor, sofrimento e desilusão. Muitos morrem atingidos em cheio pelas mentiras que conduzem à violência; e outros tantos sequer nascem, pois a mentira promove doenças. Da mentira, somos todos os algozes e vítimas. Vale a pena comemorar nossas desilusões? Marabá
Escrito por marabá às 10h04
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87 ANOS DE COMUNISMO NO BRASIL
Influenciados por uma nova idéia que chegava do leste do planeta, já tomado pela Era Industrial, operários, intelectuais, políticos e militares debatiam no Brasil a construção de um sistema econômico que fosse justo com a classe trabalhadora, já cansada da exploração desumana da burguesia que surgira com a República. Na Rússia, em 1917, sob o lema "Paz, Pão e Terra" começava a primeira experiência de construção do socialismo da história, e as esperanças dos trabalhadores do mundo inteiro se voltam para a revolução bolchevique de Lênin, que seguia as idéias marxistas. Em 25 de março de 1922, no Rio de Janeiro, nasce o Partido Comunista do Brasil. O partido nasce com 73 militantes, aprova 21 condições para ingresso na Internacional Comunista, órgão responsável pelos trabalhos dos diversos grupos e partidos comunistas espalhados pelo mundo, e inicia uma campanha de solidariedade aos trabalhadores russos. Meses mais tarde, o movimento conhecido como Tenentismo, iniciaria uma série de rebeliões contra a Velha República, e que buscava reformar a estrutura de poder do país, o voto e a educação pública. Em 1º de Maio de 1925 surge no Rio de Janeiro o semanário ‘A Classe Operária’, jornal lançado pelo Partido Comunista, com tiragem inicial de 5.000 exemplares. A polícia fecha o jornal após a edição nº12, mas ele reaparece em 1928. Ora legal, ora na clandestinidade, até os dias de hoje, ‘A Classe Operária’, como órgão de imprensa popular, é o mais antigo em atividade. Nenhum jornal brasileiro foi tão perseguido. Nenhum tem a mesma folha de serviços prestados aos interesses presentes e futuros do povo trabalhador. A refundação do partido em 18 de fevereiro de 1962, em São Paulo, restaura a denominação do Partido Comunista do Brasil, adota a sigla PCdoB, e projeta João Amazonas, antigo militante comunista, como uma grande liderança política. Na década de 60, em plena ditadura militar, inspirado na Revolução Cultural Chinesa, o PCdoB busca a formação de um núcleo de guerrilha. A área escolhida para a irradiação do futuro exército camponês é a região sul do Estado do Pará, próximo onde hoje se localiza o Estado de Tocantins. Estima-se que o partido tenha reunido algo em torno de setenta guerrilheiros na área, sob o comando do jovem Osvaldo Orlando da Costa, conhecido como Osvaldão. A maior parte do efetivo da coluna guerrilheira do PCdoB é formada por estudantes secundaristas ou universitários, organizados em torno da União da Juventude Patriótica – UJP -, braço juvenil do partido. Em 1971, unidades do Exército descobriram a localização do núcleo guerrilheiro, e iniciam operações de repressão, pois o governo militar temia que a atuação comunista se alastrasse em direção ao norte da Amazônia. Mobilizando 25 mil soldados, o Exército Brasileiro, em 1972, inicia as operações de repressão a guerrilha, e que, após três expedições, sendo as duas primeiras repelidas pelos guerrilheiros, derrota o foco de resistência comunista com uma guerra suja, onde a tortura contra a população civil, simpática aos comunistas, é empregada com total desumanidade. A maior parte dos guerrilheiros morre em combate ou nas mãos dos militares, incluindo o líder Osvaldão. Desses combates, o próprio Exército reconhece o heroísmo e a coragem dos quase setenta guerrilheiros, que, até o final das operações tinha a impressão de lutar contra um numeroso exército, dado a tática, a mobilidade e as estratégias que empregavam contra uma força imensamente poderosa. Com o fim da ditadura militar, o PCdoB alcançou a legalidade, em 1985, e hoje vive uma de suas fases mais ricas e de grande influência política. Ou seja, o pequeno grupo de 1922 é hoje 100 mil brasileiros, que enfrentam o conservadorismo e lutam por um mundo melhor. O PCdoB quer um Brasil socialista, democrático e soberano, que só pode ser alcançado pela luta e força do povo brasileiro. Em 2008 o PCdoB deu um salto em sua participação institucional, com candidatos em 1.671 dos 5.564 municípios brasileiros, concorrendo em todas as capitais e cidades com mais de 200 mil habitantes. O resultado foi o melhor da história do partido em eleições municipais. Foram eleitos 42 prefeitos comunistas, 66 vice-prefeitos e 608 vereadores. Aqui em Olinda, um resultado fantástico, o PCdoB governa a cidade desde 2001. No Senado Federal o PCdoB tem um senador, Inácio Arruda, eleito pelo Estado do Ceará em 2006; na Câmara Federal temos 12 deputados federais; e ainda faz parte do Governo do Presidente Lula, comandando o Ministério dos Esportes. Como disse Che Guevara: "Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera." Firme Na Luta!!! Marabá
Escrito por marabá às 09h25
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Hoje o dia está maravilhosamente lindo, e cheio de oportunidades. Papai do Céu nos abençoou com grandes possibilidades que dependem agora de nós para que possam dar certo. Vamos à luta, com fé e com os pés no chão.
Escrito por marabá às 08h33
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A Data, a Igreja e o Estuprador.
Quando imaginávamos que a história de uma menina de nove anos, que engravidou após ser violentada pelo padrasto durante anos, juntamente com a irmã, seria um absurdo, chega a Igreja Católica e torna ainda mais absurda essa história. O arcebispo de Olinda e Recife, cujo nome nem vale a pena citar por ter sido excomungado deste blog, condenou a equipe médica e a mãe da garota por terem viabilizado o aborto na menina. Acontece que ela, por ser criança, ter um corpo franzino de criança e a mente infantil de uma criança, esperava gêmeos, e isso era um risco real e imediato a sua vida. No entanto, em nome de uma ordem conservadora – por que não dizer capenga? – o religioso tomou os pés pelas mãos e saiu a excomungar aqueles que salvaram a vida da garota. Mas isso não seria o pior, pois o ato da mãe da garota e da equipe médica, na cabeça desse arcebispo, foi considerado pior que o crime cometido pelo estuprador, causador de toda essa celeuma. Na ânsia de impor sua autoridade religiosa, o arcebispo não respeitou o início da campanha da fraternidade da Igreja Católica que estava prestes a ser lançada, cujo tema é ‘A Paz é fruto da Justiça’. Sendo assim, como a igreja quer paz, se ela mesma não se interessa pela justiça? E todo esse debate, para constrangimento de todos, desenrolou-se próximo ao Dia Internacional da Mulher. E como se tudo isso não bastasse, o arcebispo inventou de defender sua posição citando o holocausto nazista, e se esqueceu que a Igreja Católica, na figura do Papa Pio XVI, apoiou o nazismo. Que saudade tenho de Don Helder Câmara, que numa situação como essa teria a sapiência de um espírito moderno e conciliador, e mesmo se posicionando contra o aborto, saberia que nesse caso a vida de uma criança seria poupada, pois a justiça que se pode fazer a um ser humano é mais importante do que qualquer outra posição conservadora, e não passaria por ridículo, aplicando a excomunhão medieval principalmente àqueles que querem seguir as leis.
Marabá
Escrito por marabá às 10h13
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( Por Miguezim da Princesa * )
Peço à musa do improviso Que me dê inspiração, Ciência e sabedoria, Inteligência e razão, Peço que Deus que me proteja Para falar de uma igreja Que comete aberração. II Pelas fogueiras que arderam No tempo da Inquisição, Pelas mulheres queimadas Sem apelo ou compaixão, Pensava que o Vaticano Tinha mudado de plano, Abolido a excomunhão. III Mas o bispo Dom José, Um homem conservador, Tratou com impiedade A vítima de um estuprador, Massacrada e abusada, Sofrida e violentada, Sem futuro e sem amor. IV Depois que houve o estupro, A menina engravidou. Ela só tem nove anos, A Justiça autorizou Que a criança abortasse Antes que a vida brotasse Um fruto do desamor. V O aborto, já previsto Na nossa legislação, Teve o apoio declarado Do ministro Temporão, Que é médico bom e zeloso, E mostrou ser corajoso Ao enfrentar a questão. VI Além de excomungar O ministro Temporão, Dom José excomungou Da menina, sem razão, A mãe, a vó e a tia E se brincar puniria Até a quarta geração. VII É esquisito que a igreja, Que tanto prega o perdão, Resolva excomungar médicos Que cumpriram sua missão E num beco sem saída Livraram uma pobre vida Do fel da desilusão. VIII Mas o mundo está virado E cheio de desatinos: Missa virou presepada, Tem dança até do pepino, Padre que usa bermuda, Deixando mulher buchuda E bolindo com os meninos. IX Milhões morrendo de Aids: É grande a devastação, Mas a igreja acha bom Furunfar sem proteção E o padre prega na missa Que camisinha na lingüiça É uma coisa do Cão. X E esta quem me contou Foi Lima do Camarão: Dom José excomungou A equipe de plantão, A família da menina E o ministro Temporão, Mas para o estuprador, Que por certo perdoou, O arcebispo reservou A vaga de sacristão. (*) Poeta popular, Miguezim de Princesa, é paraibano radicado em Brasília. Coletado em: http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/
Escrito por marabá às 11h47
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‘Tanto quanto nos impressiona os atos de canibalismo que ainda na Humanidade é possível testemunhar, impressiona também os atos corriqueiros e habituais com que a tortura é empregada em nossa sociedade.’ Marabá
Escrito por marabá às 10h22
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O nocaute dos “deportados”
Quando os boxeadores Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux decidiram por vontade própria voltar para casa, após terem abandonado a delegação cubana nos jogos Pan-americanos, em 2007, setores da imprensa e da oposição não titubearam em falar em deportação, ruptura com “nossas melhores tradições diplomáticas" e uso da máquina burocrática do governo federal para atropelar direitos humanos. Lideranças demo-tucanas compararam o episódio à deportação de Olga Benário, mulher de Luiz Carlos Prestes, para a Alemanha Nazista, onde morreu em campo de concentração. Comparação descabida? E o que importa quando há um teorema a ser demonstrado? O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) chegou a dizer que"Lula, que durante muitos anos pregou direitos humanos pelas ruas, nos desaponta ao permitir que a máquina policial do seu governo entregue de maneira precipitada esses dois jovens atletas que fugiram e demonstraram que para seu país não queriam voltar". De nada adiantou o delegado-chefe da PF de Niterói (RJ), Felipe Laterça, afirmar que aos cubanos foi ofertado exílio, mas ele preferiram retornar a Havana. Ou o Ministério da Justiça assegurar que os atletas não apresentaram pedido de refúgio ao Itamaraty. A versão que deveria prevalecer era a que dava conta de que a Secretaria Nacional de Segurança Pública estava sendo utilizada como “um prolongamento da polícia política de Fidel Castro". Era a que melhor se amoldava ao cenário de um “Estado Policial" tão ao gosto de editorialistas e de alguns membros do Supremo Tribunal Federal. Ao contrário das regras do boxe, a lógica da oposição compreende golpes abaixo da cintura, na nuca ou com o adversário no chão, mesmo correndo o risco de nocaute quando evidências concretas se apresentam com a força de um “jab ou um “direto” (golpe frontal forte com o punho) desferido pela suposta vítima que ”defendiam com fervor". Foi o que aconteceu nesse domingo. Entrevistado pelo programa Esporte Espetacular em Miami, Lara declarou que ele e Guillermo, após terem sido abandonados por uma empresa alemã que se dedica a agenciar lutadores, decidiram voltar para Cuba. "Nós decidimos retornar, não foi pelo governo brasileiro nem por ninguém, já que as coisas deram errado, nós decidimos voltar". Enquanto estava no Brasil, o cubano manteve contato com o presidente Lula: “Ele me tratou bem, me ofereceu tudo que podia fazer. Ele me perguntou se eu queria ficar no Brasil, eu disse que não, que queria voltar para Cuba". Ou seja, Lula ofereceu refúgio ao atleta. E agora, como é que ficam as vidas paralelas dos “Varões de Plutarco" da República brasileira? O que devem combinar com articulistas, editorialistas e cientistas políticos de plantão? Mantêm a “cara de paisagem" tal como fazem na crise econômica que desacreditou totalmente suas análises ou esboçam uma retratação pública? Um pedido formal de desculpas. Na dúvida, deixo aos leitores uma pequena mostra do circo de horrores. Alguns dos protagonistas ainda estão zonzos, mas não demora muito e voltam a atuar. Convém guardar a estrutura dos relatos. "Esse caso( Cesari Battisti) merece um comentário paralelo. Por mais controverso que possa ter sido seu julgamento, por mais dúvidas que possam existir sobre sua participação em todas as mortes de que é acusado, a decisão do ministro brasileiro peca pela origem: como pode o mesmo ministro que entregou para uma das mais cruéis ditaduras do mundo os boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que fugiram da concentração durante os jogos do Pan no Rio, alegar que Battisti corre o risco de ser perseguido na democrática Itália?" (Merval Pereira, 27 de janeiro de 2009) "Condeno a forma intempestiva como foi feita essa repatriação, sem que houvesse por parte da sociedade brasileira a possibilidade de saber se essa era a vontade daqueles indivíduos.” (Aécio Neves, 9 de agosto de 2007) "Estrangeiros que pedem asilo a uma embaixada brasileira são da alçada do Itamaraty, e os que pedem refúgio dentro do Brasil são do Ministério da Justiça. Mas, convenhamos, não se trata um simples caso de asilo ou refúgio. E os dois acabaram sendo um caso de polícia. Uma polícia que aceitou com muita facilidade a versão do "arrependimento". Rigondeaux e Lara foram despachados ""a pedido", como nas demissões em Brasília, e sem investigação, sem processo, sem julgamento. Nenhuma entidade de direitos humanos foi ouvida. Em sendo muy amigo de Fidel, fica parecendo que o governo do PT cedeu à pressão e entregou os cubanos à própria sorte -ou azar. Se viessem de outra ditadura, "à direita", talvez tivessem sido acolhidos como refugiados. Aos amigos, tudo; aos inimigos.” (Eliane Catanhêde, Folha de S.Paulo, 10 de agosto de 2007) "A decisão do governo de Cuba de proibir os pugilistas Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara de prosseguir em suas carreiras de atletas e de sair pelo resto de suas vidas do país é a prova mais evidente de que os dois não retornaram à ilha de Fidel Castro por vontade própria". (Dora Kramer, Estado de São Paulo, 25/08/2007) "Imagino que muita gente ainda se lembre de Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara. Os dois pugilistas cubanos tentaram desertar durante os Jogos Panamericanos do Rio de janeiro em julho de 2007. Pretendiam seguir para a Alemanha, já com promessa de contrato. Entretanto, foram presos pela Polícia Federal e imediatamente deportados. Um avião posto à disposição do governo cubano pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, levou os pugilistas de volta para Cuba." (Lúcia Hippolito, em seu blog, 25/02/2009) “A Polícia localizou os cubanos, e os prendeu, sem motivos para isso. Manteve os rapazes incomunicáveis, atropelando a Constituição, e chegando inclusive a expulsar o advogado enviado pelos empresários, que teve que ir embora sem sequer poder ver os presos. Depois, em tempo record, providenciou um avião que levasse os pobres coitados para Havana, com escala em Caracas." (Cláudio Humberto, Tribuna da Imprensa, 11/08/2007) "Com a fuga de Cuba do boxeador Guillermo Rigondeaux, escreveu-se o penúltimo capítulo da uma história iniciada em 2007, quando ele e seu colega Erislandy Lara foram deportados pela polícia do comissário Tarso Genro.O último será escrito quando se souber com quem Fidel Castro falou no dia em que ele soube do desaparecimento da dupla. Que falou com alguém, falou, pois isso foi contado pelo seu chanceler, Felipe Pérez Roque. Nas suas palavras, o Comandante pediu ao seu interlocutor ajuda para "propiciar e organizar" o repatriamento dos fujões. Pode demorar, mas um dia a identidade do amigo de Fidel será conhecida". (Elio Gaspari, Folha de S. Paulo, 01/03/2209) O boxe, quando bem ensinado, ensina o lutador a ter respeito pelo próximo. Certos sentimentos são extremamente prejudiciais aos praticantes, como medo, raiva e vaidade. Na política e no jornalismo brasileiros tais disposições soam virtuosas. Sem direito a refúgio. Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro. Coletado em: http://www.pt.org.br/portalpt/index.php?option=com_content&task=view&id=74487&Itemid=201
Escrito por marabá às 09h46
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'Ditabranda' para quem?
Quase ninguém lê editorial de jornais, mas quase todos leem a seção de cartas. E foi assim que tudo começou. Os fatos: a Folha de S.Paulo, em editorial de 17/2, aplica a expressão “ditabranda” ao regime militar que prendeu, torturou, estuprou e assassinou. O primeiro leitor que escreve protestando recebe uma resposta pífia; a partir daí, multiplicam-se as cartas: as dos indignados e as dos que ainda defendem a ditadura. Normal. Mas eis que chegam a carta do professor Fábio Konder Comparato e a minha: “Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de ‘ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar ‘importâncias’ e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi ‘doce’ se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!” (esta escriba). “O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17/2, bem como o diretor que o aprovou, deveria ser condenado a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana” (Prof. Fábio). As cartas são publicadas acompanhadas da seguinte Nota da Redação – “A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente ‘cínica e mentirosa’.” Pronto. Como disseram vários comentaristas, a Folha mostrou a sua cara e acabou dando um tiro no pé. Choveram cartas para o ombudsman do jornal – que se limitou a escrever, quase clandestino, que a resposta pecara por falta de “cordialidade”. Um manifesto de repúdio ao jornal e de solidariedade, organizado pelo professor Caio Navarro de Toledo, da Unicamp – com a primeira adesão de Antonio Candido, Margarida Genevois e Goffredo da Silva Telles – passa imediatamente a circular na internet e, apesar do carnaval, conta com mais de 3 mil assinaturas. Neste, depoimentos veementes de acadêmicos, jornalistas (inclusive nota do sindicato paulista), artistas, estudantes, professores do ensino fundamental e médio, além de blogs. Vítimas da repressão escrevem relatos de suas experiências e até enviam fotos terríveis. A maioria lembra, também, o papel da empresa Folha da Manhã na colaboração com a famigerada Oban. O que explica essa inacreditável estupidez da Folha? A meu ver, três pontos devem ser levantados: 1. A combativa atuação do advogado Comparato para impedir que os torturadores permaneçam “anistiados” (atenção: o caso será julgado em breve no STF!). 2. O insidioso revisionismo histórico, com certos acadêmicos, políticos e jornalistas, a quem não interessa a campanha pelo “Direito à Memória e à Verdade”. 3. A possível derrota eleitoral do esquema PSDB-DEM, em 2010. (Um quarto ponto fica para “divã de analista”: os termos da nota – não assinada – revelam raiva e rancor, extrapolando a mais elementar ética jornalística.) Dessa experiência, para mim inédita, ficou uma reflexão dolorosa, provocada pela jornalista Elaine Tavares, do blog cearense Bodega Cultural, que reclama: “Sempre me causou espécie ver a intelectualidade de esquerda render-se ao feitiço da Folha, que insistia em dizer que era o ‘mais democrático’ ou que ‘pelo menos abria um espaço para a diferença’. Ora, o jornal dos Frias pode ser comparado à velha historinha do lobo que estudou na França e voltou querendo ser amigo das ovelhas. Tanto insistiu que elas foram visitá-lo. Então, já dentro da casa do lobo ele as comeu. Uma delas, moribunda, lamentou: ‘Mas você disse que tinha mudado’... E ele, sincero: ‘Eu mudei, mas não há como mudar os hábitos alimentares’. E assim é com a Folha (...). São os hábitos alimentares”. O que fazer? Muito. Há a imprensa independente, como esta CartaCapital. Há a internet. Há todo um movimento pela democratização da informação e da comunicação. Há a luta – que sabemos constante – pela justiça, pela verdade, pela república, pela democracia. Onde quer que estejamos. Maria Victoria Benevides é socióloga com especialização em Ciências Políticas e professora titular da Faculdade de Educação da USP
Coletado em: http://www.pt.org.br/portalpt/index.php?option=com_content&task=view&id=74486&Itemid=201
Escrito por marabá às 09h36
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Os Social-capitalistas.
“Colo teus pedaços. Unidade estranha é a tua, em mundo assim pulverizado. E nós, que a cada passo nos cobrimos e nos despimos e nos mascaramos, mal retemos em ti o mesmo homem”... (Fragmento do poema ‘Canto ao Homem do Povo Charles Chaplin' de Carlos Drummond de Andrade)
A ideologia de esquerda não morreu. Um mundo melhor é possível, no entanto existe apenas um caminho para isso, o Socialismo. Não um socialismo através das armas, como já ocorreu. Mas um Socialismo através das idéias, de muito trabalho e, sobretudo, de amor ao próximo. O capitalismo novamente está ferido. De quando em quando ele se autoflagela. E é aí que a esquerda consciente da luta pelo Socialismo deve agir. Todavia existe um problema sério, a sede pelo poder que cada ser humano tem na alma é um obstáculo à luta. E é revelando uma vaidade misturada com ambição que a militância se perde. Aliás, mesmo tendo conquistado espaços importantes no teatro pernambucano de guerra do socialismo contra o capitalismo, ou seja, mesmo tendo conquistado e mantido as cidades estratégicas de Recife e Olinda, o exercito vermelho de certa forma se deixa seduzir pelo inimigo. Então líderes, assessores, técnicos e outros encarregados em construírem, dentro de suas funções, o alicerce para esse mundo melhor, passam a utilizar os mesmos mecanismos medonhos que os capitalistas utilizavam quando comandavam esses territórios. De soldados a celebridades é um passo pequeno, quase imperceptível, e eles terminam por cair numa vala comum aos vaidosos, e transformam-se, assim, em social-capitalistas. Onde o povo, coitado, continua sendo bucha de canhão num joguete imoral, e onde a necessidade do homem urbano é o caminho para o auge mundano daqueles que saíram do seio desse mesmo povo e que seriam os responsáveis pelo sucesso do Socialismo em nossa sociedade. Deixa, eles estão embriagados. Mas quando a ressaca passar, quando a ilusão pequeno-burguesa perder a validade, quando se derem conta da oportunidade que tiveram e que deixaram escapulir, e mostrar a realidade da vida, estarão eles postados ao lado dos capitalistas a lamentar pelo que deixaram de fazer. E tal qual crianças quando deixam o pirulito cair no chão infestado de germes, chorarão deprimidos pelo grande mal que causaram à humanidade. E notarão, abismados, que seus umbigos não são mais o centro do universo. Marabá
Escrito por marabá às 15h00
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Chávez: Vitória no referendo abre caminho para consolidar revolução socialista
Diante da vitória no referendo deste domingo (15), o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que o processo abre caminho para a consolidação de uma revolução socialista no país. O resultado aprova a emenda constitucional que acaba com o limite para reeleição a cargos públicos e permite que Chávez possa se candidatar a um terceiro mandato nas eleições de 2012. As informações são da BBC Brasil.
"Hoje começa o terceiro ciclo histórico, de 2009 a 2019. Abrimos a porta do futuro para continuar transitando a caminho da dignidade e esse caminho não tem outro nome: é socialismo", afirmou Chávez, ao dirigir-se a seus simpatizantes na varanda do Palácio de Governo. O local havia sido cercado por uma multidão vestida de vermelho, a cor do chavismo, antes mesmo do anúncio da vitória. O líder venezuelano discursou acompanhado das filhas, dos netos e de ministros de governo, e o ato foi transmitido por cadeia nacional de rádio e de televisão. Para Chávez, o povo de seu país havia escrito uma "página memorável" na história da Venezuela. Após o discurso do presidente, partidos de oposição reconheceram a vitória do governo, mas denunciaram que a opção do sim obteve vantagem devido ao uso da máquina do Estado durante a campanha eleitoral. De acordo com o primeiro boletim divulgado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o sim obteve 54,36% dos votos, enquanto o não registrou 45,63%. Até ontem (15), 94,2% das urnas haviam sido apuradas. A participação, uma das mais altas dos últimos pleitos, foi de 67,05% dos cidadãos venezuelanos com direito a voto. Agência Brasil
Escrito por marabá às 08h18
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