Blog do Marabá


A Rosa Vermelha

“O revolucionário se forja na sua própria luta.”

                                                     Maurício Grabois

                        

Temos diversas heroínas em nossa história brasileira, mulheres indignadas com os sistemas sob os quais foram obrigadas a viver. Lutaram, mas jamais perderam a ternura; lutaram, e ajudaram a configurar nossa Nação como ela é hoje; lutaram, e construíram um mundo melhor. Temos Pagu, poetisa, ex-esposa do escritor Oswald de Andrade, revolucionária que contribuiu na transformação de nossa sociedade. Temos Olga, esposa de Luis Carlos Prestes, incansável lutadora, líder internacional do partido comunista, presa ao lado do Cavaleiro da Esperança e entregue aos nazistas pela ditadura de Vargas. Sob o comando de Prestes, temos as colunistas que o seguiram, algumas que até pariram durante a marcha. Temos Dilma Rousseff, personagem do movimento armado de esquerda que lutou contra a ditadura militar e pela restauração da Democracia em nossa sociedade, oxalá seja nossa futura presidente do Brasil. Temos a valente Diná, guerrilheira comunista, hoje uma lenda para o povo pobre do Araguaia, e que durante o combate, dado a sua coragem e poder de luta, foi respeitada até pelo inimigo. E temos Anita Garibaldi, militante maior do movimento de independência do Rio Grande do Sul. Contudo, de todas essas mulheres e de tantas outras que a história oficial nos esconde, e que nos enchem de ânimo para continuarmos lutando e acreditando num mundo melhor, temos a grandiosa figura de Elza Monnerat.

Nascida em 1913, Elza Monnerat dedicou toda sua vida a luta silenciosa pelo socialismo e pela justiça ao povo brasileiro, que não se outorgou de comandante, mas sim de soldado de primeira hora do Partido Comunista do Brasil; que, mesmo com idade avançada, não deixou de disponibilizar o espírito combatente sob o qual sua consciência se guiava. Era uma grande líder, embora empunhasse a figura de uma velhinha, de cabelos brancos, simpática e sorridente. Era um exército numa pessoa só; quem dera hoje a nova militância da esquerda concebesse seu espírito idealista.

 

Desde que despertei para a Política, ao tomar emprestado um livro chamado ‘Guerra de Guerrilhas’, que mudou minha vida, admiro a história de Elza Monnerat. Isso porque, este livro de Fernando Portela era uma dos únicos testemunhos publicados em 1991 sobre a Guerrilha do Araguaia, uma epopéia em que quase setenta guerrilheiros, recrutados nas principais capitais do país, em nome do PCdoB, combateram cerca de cinco mil homens do Exército Brasileiro a serviço da ditadura militar. Diga-se de passagem, este livro é o marco inicial de meu engajamento na esquerda. E, ainda que, ironicamente eu estivesse servindo como 2º Tenente na 23ª Cia Com Sl, em Marabá/PA – quartel vizinho ao 52º Bis, batalhão que, vinte anos antes concentrara o comando militar das operações contra os camaradas comunistas - pude ler em segredo, já que a 2ª Sessão em meu quartel ainda caçava, mesmo na década de noventa, aqueles que simpatizassem com ideais de esquerda. Juro, pensei que aquela história fosse mentira. Jamais ouvira falar da Guerrilha do Araguaia, mas ela era um fato. Anos mais tarde a verdade sobre esse conflito veio a público, e Elza Monnerat figurava entre os heróicos guerrilheiros que sacrificaram a vida pelo Socialismo. Ela representa muito para mim.

 

Num mundo em que o capitalismo seduz sobremaneira a esquerda contemporânea, em que ela, impregnada por essa sedução, esquece-se dos grandes mártires, daqueles lutadores torturados e mortos por seguirem fiéis aos seus ideais de justiça, nada como lembrar Elza. Lembrá-la, é tornar viva a figura daqueles que, nos anos sombrios da clandestinidade e repressão do governo, seguiram corajosos para que a esquerda fosse mais do que ela é hoje, idealista e, sobretudo, representante do povo. Resgatar a figura de Elza Monnerat é uma maneira sapiente de mostrar a juventude descrente dos dias de hoje, que a mais bela revolução é aquela em que participamos conscientes.

Nada mais justo que homenagearmos a figura da grande líder comunista Elza Monnerat, como exemplo de sua força e de seu combate. E é isso que a Câmara Municipal de Olinda e o PCdoB, sob coordenação da militante comunista Edjane Quirino, farão nesta segunda-feira – 15 de junho – as 19:00h, no plenário da Casa Bernardo Vieira de Melo, Rua 15 de Novembro, nº 93, Varadouro, Olinda. Um ato político em reconhecimento ao seu grande valor e a sua história.

 

Jamais devemos nos esquecer, Elza Monnerat vive!

 

Marabá



Escrito por marabá às 11h45
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Outros sites
  GOVERNO LULA
  PARTIDO DOS TRABALHADORES
  BLOG DO PLANALTO
  PCdoB
  PSB
  CUBA
  CUBA SIM!
  AGÊNCIA BOLIVARIANA
  FIDEL CASTRO
  CHÊ GUEVARA
  JOSÉ DIRCEU
  JORNAL HORA DO POVO
  CIDADANIA
  CULTURA E PENSAMENTO
  MST
  OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
  DOSSIÊ REVISTA in'VEJA
  BLOG DO NASSIF
  TELESUR - TV VENEZUELANA
  ESQUERDA
  O HUMOR DO PAPA-FIGO
  POLÍTICA COM P MAIÚSCULO
  BLOG DO ITÁRCIO
  BRASIL DE FATO
  PROPALANDO
  BOL - E-mail grátis
  UOL
Votação
  Dê uma nota para meu blog