Blog do Marabá


Aquela Velha História de Assaltar o Povo

11 de Abril de 2002, tropas cercam o palácio presidencial. Soldados, de armas em punho, ameaçam o governante latino-americano, eleito democraticamente, exigindo sua rendição. A imprensa conservadora promove a ação e faz sua parte, põe em prática uma campanha midiática para legitimar os usurpadores no poder. O povo, vítima também do golpe de estado, não consegue entender o que está acontecendo. Mas, de qualquer forma, não se deixa embriagar pelas notícias. Um representante da burguesia, de cor clara, é colocado às pressas no lugar do presidente deposto, e vive, durante alguns momentos, a ilusão de ter apoio popular... Três dias depois o antigo governante é trazido de volta nos braços do povo e a forças conservadoras sofrem uma humilhação jamais vista neste país.                                                                              

29 de Junho de 2009, tropas cercam o palácio presidencial. Soldados, de armas em punho, ameaçam o governante latino-americano, eleito democraticamente, exigindo sua rendição. A imprensa conservadora promove a ação e faz sua parte, põe em prática uma campanha midiática para legitimar os usurpadores no poder. O povo, vítima também do golpe de estado, não consegue entender o que está acontecendo. Mas, de qualquer forma, não se deixa embriagar pelas notícias. Um representante da burguesia, de cor clara, é colocado às pressas no lugar do presidente deposto, e vive, durante alguns momentos, a ilusão de ter apoio popular...

Duas datas diferentes e a mesma história, o golpe contra o povo. A direita latino-americana não toma vergonha na cara. Em público defende a democracia, mas no íntimo ela a odeia. É insuportável para a burguesia aceitar a decisão popular quando o resultado é progressista. Na cabeça desses tiranos, o povo jamais teria direito ao voto. Para eles, deveria ser tudo como antes, as oligarquias prepotentes é que deveriam decidir o destino de suas nações. Mas a história impulsionou o homem moderno a defender a democracia, por ser um sistema mais justo que aqueles utilizados no passado. Na primeiro golpe, ocorrido na Venezuela contra o presidente Hugo Chavez, o Eua de imediato posicionou-se a favor dos golpistas. Lógico, o republicano George Bush, direitista convicto e presidente estadunidense na época, não só apoiou a trama como, ao que tudo indica, trabalhou nos bastidores para que ela fosse um sucesso. E criou um certo constrangimento para as nações que defendem a democracia, além de intimidar a ONU. Contudo, menos de três dias depois teve que amargar a derrota imposta a ele pelo povo venezuelano. No segundo golpe, ocorrido recentemente em Honduras, o presidente estadunidense Barack Obama, tal qual nosso presidente Lula, censurou veementemente os golpistas, exigiu o retorno imediato do presidente Manuel Zelaya ao poder; o Conselho de Segurança da ONU, por unanimidade, ordenou o retorno à democracia; os país vizinhos a Honduras fecharam suas fronteiras, isolando o atual governo; a comunidade européia censurou o novo governante golpista; a OEA exigiu o fim do golpe; e nenhuma nação ofereceu qualquer ajuda aos espoliadores da democracia. Hondura atualmente está isolada do resto do mundo, e o povo hondurenho esta nas ruas, exigindo que Zelaya volte ao poder. Ou seja, de uma data a outra o mundo evoluiu sobremaneira. Em menos de sete anos a humanidade deu um guinada em direção ao progresso, e resta aguardar que os imundos que ainda nutrem no íntimo a vil intenção de denegrir a vontade do povo esqueçam essa idéia, e se conformem com os novos tempos.

À mídia foi dada também uma nova lição, já que ela tem o triste hábito de acompanhar aqueles que no passado espoliaram o povo e que no presente ameaçam a democracia. No golpe de Honduras, como no da Venezuela, a imprensa de imediato legitimou os golpistas, lançou acusações contra os presidentes eleitos e criou ilusões para que o povo concebesse a idéia de que a vida em seu país seria bem melhor. Como os golpistas, ela também amarga uma grande derrota.

Não resta dúvida de que Manuel Zelaya retornará em breve ao comando da nação hondurenha. Mas desse episódio convém guardar a experiência de que contra a direita jamais devemos baixar a guarda, pois ela ainda vive no tempo em que podiam fazer o que bem queriam, e o resto tinha o dever de seguir.

Democracia, sempre! 

Marabá



Escrito por marabá às 15h08
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