O Assassinato em Massa de Jovens

Um verdadeiro massacre. Embora pareça que nada de mais esteja acontecendo. Nas salas de aula de História estão lembrando os genocídios ocorridos em épocas passadas, aqueles promovidos por chefes de estado, atos repugnantes que em nossos dias não deveriam mais caber. É que a idéia iluminista dos Direitos Humanos, reinante na atualidade, tenta impedir que governantes tiranos executem pessoas à revelia da Justiça. Por outro lado, um outro genocídio, sem a interferência do Estado, ocorre quase que silenciosamente, mais feroz, mais cruel e praticamente sem qualquer reação, extermina uma geração inteira. De característica banal, essa matança ocorre todos os dias e em quase todas as cidades brasileiras. No mês de julho passado, foi publicado na imprensa que estudo da Unicef prevê um resultado aterrorizante, 33 mil jovens, de 12 a 19 anos, serão assassinados até 2012. Esse quadro é o colapso das relações humanas. É o retorno do homem à selvageria. Esse estudo da Unicef infelizmente parece estar correto. Pois basta acompanhar abaixo as notícias que foram vinculadas no jornal Folha de Pernambuco de 21 a 31 de julho, no encarte de polícia - o caderno do sangue no asfalto – para se ter idéia de que a situação é de terror ou terrorismo, como queiram. Pois todos os dias um ou mais jovens, que se enquadram nesse estudo, são executados na região metrolopitana do Recife: 21 de Julho de 2009, terça-feira – Alex Vieira da Silva, de 19 anos, foi executado por tiros de pistola em Jaboatão dos Guararapes. Na mesma data e cidade, mais uma noite de terror, Jonatas Alves Germano Menino, de 18 anos, como diz o próprio nome, um menino, foi morto por ataque de arma de fogo. 22 de Julho de 2009, quarta-feira –Rubenilson Gomes da Silva, de 17 anos, foi executado em casa, enquanto assistia televisão e cinco homens entraram atirando, matando, além do jovem, mais duas pessoas de 20 e 23 anos, em Jaboatão dos Guararapes. E na mesma edição, Fernando Felix da Silva, de 17 anos, foi encontrado morto com cerca de dez perfurações no corpo, também em Jaboatão dos Guararapes. 23 de Julho de 2009, quinta-feira – Um estudante de 16 anos foi assassinado a tiros em Jaboatão dos Guararapes, enquanto se diria para a escola. 24 de Julho de 2009, sexta-feira – Um adolescente de 16 anos foi assassinado em Abreu e Lima com tiros no rosto. 25 de Julho de 2009, sábado – Um jovem de 17 anos foi assassinado no início da tarde por dois homens em Jaboatão dos Guararapes, com cerca de seis tiros. 26 de Julho de 2009, domingo – O jornal Folha de Pernambuco não publica o encarte policial aos domingos. 27 de Julho de 2009, segunda-feira – Dois menores, um de 16 e o outro de 17 anos, foram encontrados mortos em Paulista, torturados e executados com tiros na cabeça. 28 de Julho de 2009, terça-feira – Mais um duplo homicidio de jovens. Josivan Araujo da Silva, de 18 anos, e Jeferson da Silva Souza, de 19 anos, foram assassinados a tiros no Bairro da Madalena, em Recife. 29 de Julho de 2009, quarta-feira – Wellington Luiz Barbosa, de 19 anos, foi morto por três tiros de arma de fogo que acertaram seu rosto e suas costas, no Recife. 30 de Julho de 2009, quinta-feira - Elias Nunes, de 19 anos, foi brutalmente assassinado a pedradas e facadas no Recife. 31 de Julho de 2009, sexta-feira – Emerson Nunes do Nascimento, de 18 anos, foi encontrado morto em Olinda. No seu corpo, uma curiosidade, a vítima trazia uma medalha com a imagem de Jesus Cristo e um santinho com a imagem de um jovem de apenas 14 anos, assassinado no dia 29 de abril deste ano. Trata-se de um geração que está sendo exterminada. A maioria dos crimes levantados nesses dez dias foram cometidos por armas de fogo. Será que eles aconteceriam se a venda das armas de fogo fosse proibida em solo brasileiro no Referendo de 2005? É um assassinato em série contra jovens, que se segue dia após outro. Cuja causa principal é o tráfico de crack, onde inocentes - pois que a juventude, por si só, é inocente – estão sendo vitimados. E que de certa forma a sociedade parece conformada. Não existe pena de morte no Brasil. Mas existe a pena de morte pirata. Pois os criminosos julgam, condenam e executam suas punições à revelia da justiça. Uma coisa é certa, criminoso não se aposenta. Um mata o outro, depois vem outro e mata o que matou antes. "É pela paz que eu não quero seguir admitindo". Marabá
Escrito por marabá às 17h13
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