Uma Mula Empacada na Lama

Em meu currículo político, guardo a vitória de outubro (de 2008) como sendo uma grande vitória estratégica, quando conseguimos ajudar a reeleger um candidato, desacreditado pela má fama de seu primeiro mandato, ao legislativo municipal. Como coordenador de comunicação (dividido com outro companheiro) e militância, postos fundamentais para o êxito em um pleito, não neguei esforços para que o sucesso fosse alcançado. E mesmo com os pontos negativos que assombravam nossa campanha; mesmo com todas as limitações que o próprio candidato nos impôs; mesmo com a falta de consciência política daqueles que estavam ao nosso lado, alcançamos a vitória. Acreditei mais uma vez estar a serviço das forças progressistas de esquerda e que isso seria bom para o povo. Mas eu estava completamente equivocado. Passada a ressaca da vitória, e participando da equipe de gabinete do político eleito, comecei a perceber que sua má fama tinha sentido. Afinal, faltavam-lhe apenas a letra ‘m’ e asas para que de fato fosse uma mula. E começou a brotar em mim uma grande decepção por ter contribuído com sua vitória. Sua falta de sensibilidade com a condição alheia, seu egoísmo mundano, e sua carência de ideologia, levou-me - mesmo que dependente do salário de assessor - a afastar-me de seu convívio. A gota d’água foi perceber que na esfera desse gabinete o público e o privado se misturam sem qualquer consciência, e que, aquilo que é público, destinado ao bem estar do coletivo, terminava por se tornar privado, como se o político fosse o proprietário de todos os recursos e a ninguém devesse satisfação. Em sua mente, paira a idéia sombria de que ele é um rei. E o bolso, desse que foi eleito para representar o povo, acabava se tornando pouco. E o que era vil, acabou se tornando um vício. ‘O homem é o lobo do homem’, disse Karl Marx, sem jamais imaginar que alguns comunistas também seriam lobos. O homem comum passou a ser explorado também por aqueles que deveriam lhe salvar da exploração; desrespeitado por aqueles que deveriam lutar por seu respeito; e indignado por aqueles que deveriam lhe oferecer dignidade. Com todo respeito aos animais da Natureza, mas a mula (humana) está empacada na lama do roubo, impregnada pelos parasitas da corrupção, e manca do lado esquerdo. Ao que se sabe, a mula terá sorte se apenas perder o mandato. Marabá
Escrito por marabá às 13h36
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|